
O TERREMOTO CATASTRÓFICO que arrasou o Haiti na noite de anteontem já seria, por si só, um daqueles acontecimentos que dão boas razões aos incrédulos, os que negam a existência de Deus – ou a bondade dele. As primeiras estimativas calculam em mais de 100 mil o número de mortos, outros tantos de feridos e desabrigados, e um total de 3 milhões de pessoas diretamente atingidas pela tragédia, o que equivale a um terço da população haitiana. O tremor, que agora chegou a 7,3 graus na escala Richter, só foi menor que o abalo mais forte já registrado na ilha, em 1946, de 8,1 graus. Contudo, é muito mais devastador.
Se confirmadas as vítimas, entrará para a lista dos dez maiores terremotos da história em destruição de vidas.
Repita-se: isso tudo já seria um desafio à crença dos fiéis, uma vez que a imaginação dos homens sempre associou a força da natureza aos desígnios divinos. Mas o Haiti parece ser a própria realização de tudo que pode acontecer de ruim, seja devido à intervenção humana ou do além. Exceto o período em que foi uma próspera colônia sob o jugo dos franceses, o Haiti tem uma história que faz daquele lugar do Caribe uma espécie de caixa de Pandora do planeta, a terra de todos os males, de todas as mazelas possíveis. Tudo se reúne ali: miséria extrema, epidemias, furacões, enchentes, ditaduras, golpes de Estado, corrupção, violência urbana e instituições inexistentes ou fragilíssimas.
O país é o mais pobre das Américas e figura em 146º lugar no último Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede as condições socioeconômicas de 177 nações. Mais da metade da população do Haiti vive com menos de US$ 1 por dia, o que equivale a cerca de R$ 54 por mês. E 80% estão abaixo da linha da pobreza e contam com menos de US$ 2 diários (por volta de R$ 108 ao mês).
Nesta primeira década do século 21, o país já foi atingido por furacões devastadores em duas ocasiões, em 2004 e 2008 – quando o saldo de destruição deixou menos de mil mortos e 1 milhão de desabrigados, um nono da população. E isso faz menos de dois anos. Agora é este terremoto, de proporções arrasadoras, que abala a já precariíssima infraestrutura do Haiti.
Com o tremor, inúmeros edifícios desabaram, entre casas, prédios públicos e de organizações não governamentais que têm participado da (re)construção do país. O cenário de destruição praticamente quase total inclui um hospital, o aeroporto de Porto Príncipe, a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), o Parlamento e o palácio presidencial. Quase nada escapou.
Nas condições em que o Haiti se encontra, até a ajuda humanitária e internacional fica prejudicada. Na luta pela sobrevivência e com a falta de água, comida, energia elétrica e telefonia, os saques proliferam. A corrupção, já endêmica em situações normais, será um obstáculo e deverá gerar desvios de dinheiro, remédios e alimentos.
Cresce, neste sentido, a importância da presença do Brasil no país, que desde 2004 comanda a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). São 7 mil homens – 1.300 deles das nossas Forças Armadas. A morte de 11 militares brasileiros já foi confirmada, além da perda irreparável da caridosa dona Zilda Arns. Se Deus existe, e é brasileiro, está mais do que na hora de também começar a colaborar.
Se confirmadas as vítimas, entrará para a lista dos dez maiores terremotos da história em destruição de vidas.
Repita-se: isso tudo já seria um desafio à crença dos fiéis, uma vez que a imaginação dos homens sempre associou a força da natureza aos desígnios divinos. Mas o Haiti parece ser a própria realização de tudo que pode acontecer de ruim, seja devido à intervenção humana ou do além. Exceto o período em que foi uma próspera colônia sob o jugo dos franceses, o Haiti tem uma história que faz daquele lugar do Caribe uma espécie de caixa de Pandora do planeta, a terra de todos os males, de todas as mazelas possíveis. Tudo se reúne ali: miséria extrema, epidemias, furacões, enchentes, ditaduras, golpes de Estado, corrupção, violência urbana e instituições inexistentes ou fragilíssimas.
O país é o mais pobre das Américas e figura em 146º lugar no último Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede as condições socioeconômicas de 177 nações. Mais da metade da população do Haiti vive com menos de US$ 1 por dia, o que equivale a cerca de R$ 54 por mês. E 80% estão abaixo da linha da pobreza e contam com menos de US$ 2 diários (por volta de R$ 108 ao mês).
Nesta primeira década do século 21, o país já foi atingido por furacões devastadores em duas ocasiões, em 2004 e 2008 – quando o saldo de destruição deixou menos de mil mortos e 1 milhão de desabrigados, um nono da população. E isso faz menos de dois anos. Agora é este terremoto, de proporções arrasadoras, que abala a já precariíssima infraestrutura do Haiti.
Com o tremor, inúmeros edifícios desabaram, entre casas, prédios públicos e de organizações não governamentais que têm participado da (re)construção do país. O cenário de destruição praticamente quase total inclui um hospital, o aeroporto de Porto Príncipe, a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), o Parlamento e o palácio presidencial. Quase nada escapou.
Nas condições em que o Haiti se encontra, até a ajuda humanitária e internacional fica prejudicada. Na luta pela sobrevivência e com a falta de água, comida, energia elétrica e telefonia, os saques proliferam. A corrupção, já endêmica em situações normais, será um obstáculo e deverá gerar desvios de dinheiro, remédios e alimentos.
Cresce, neste sentido, a importância da presença do Brasil no país, que desde 2004 comanda a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). São 7 mil homens – 1.300 deles das nossas Forças Armadas. A morte de 11 militares brasileiros já foi confirmada, além da perda irreparável da caridosa dona Zilda Arns. Se Deus existe, e é brasileiro, está mais do que na hora de também começar a colaborar.




