quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O verdadeiro renascer das cinzas




Tragédias acontecem em qualquer lugar.Tivemos no início do ano as chuvas na Região Serrana, que deixaram para trás um rastro de mortos e desabrigados bem acima do que é divulgado pela imprensa. Guardadas as devidas proporções, o carnaval carioca, maior espetáculo da Terra, também viveu sua tragédia na última segunda-feira,quando os barracões de União da Ilha, Grande Rio e Portela sucumbiram ao incêndio que gerou um prejuízo calculado em torno de doze milhões e mudou os rumos do desfile do Grupo Especial em 2011.

O momento é de dor, mas também de reflexão. Afortunadamente, não houve nenhum óbito, e a despeito de todo o trabalho de um ano das agremiações jogado fora, deve-se tirar lições dessa penosa experiência. A Liga Independente das Escolas de Samba, junto à Prefeitura, decidiu que não haverá rebaixamento neste carnaval e que as escolas prejudicadas não serão avaliadas pelos jurados, desfilando como hours concours.

Todos aqui sabem que sou portelense de coração. O fato de ter desfilado ou realizado trabalhos em outras escolas não depôe contra isso, sobretudo se levarmos em consideração que tais escolas, como Império Serrano e Estácio de Sá, são sementes da mesma raiz que a Portela, raiz esta que só poderia render bons frutos. Ao contrário do que pensam ou dizem por aí, não " tenho uma bandeira e aderi à outra". Minha única bandeira é a do Samba, a qual defendo na minha Portela ou em qualquer escola que eleve o nome deste verdadeiro fenômeno social.

Pois bem. Feito esse breve esclarecimento, quero dizer que a notícia do incêndio no barracão da Portela me pegou de surpresa,mas que da consternação, passei à realidade rapidamente. Pra ser sincero, não esperava muito da minha escola esse ano.Não sei se pelo fracasso no ano anterior ou se por discordar de alguns rumos que sua diretoria tem tomado ultimamente. Entretanto, parece que o infortúnio feriu meu orgulho portelense, e creio que também seja assim com todos aqueles que de alguma forma simpatizam com a azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira.

Sigmund Freud dizia que a cura de uma neurose é saber usar o sitoma a seu favor,ou seja, tomar aquilo que o prejudica em benefício próprio. O sintoma da Portela atual sempre foi barracão. Todo ano que visito a Cidade do Samba, saio de lá com medo de não dar tempo pra escola terminar suas alegorias e,exceto em 2008, isso acaba realmente acontecendo. Em 2011, parecia que não ia ser diferente. Digo parecia porque agora sabemos que não será mesmo. Não vai dar pra botar um carnaval competitivo na rua, e mesmo se desse, estamos fora da disputa. Se isso é bom ou ruim, depende do ponto de vista...

O desastre acontecido pode, de cara, ser encarado sobre uma ótica positiva se levarmos em conta que ele "mexeu com os brios" da escola, e se lembrarmos que ela terá a chance de desfilar isenta de avaliação (e portanto despreocupada com as notas) para mostrar isso.Como já disseram por aí,não haverá prejuizo que chegue perto da emoção que se verá nos desifles das escolas prejudicadas, sobretudo no da Majestade do Samba.

A Portela já passou por momentos dos mais difíceis ao longo de sua história e superou todos eles. Disseram qua a escola ia acabar quando se fundou Império Serrano, Quilombo e Tradição (esta última com a intenção clara e manifesta de ocupar seu lugar). Disseram que ela não ia muito longe quando Paulo da Portela, Natal e Clara Nunes se foram, e até deram-na como rebaixada após o melancólico desfile de 2005. Nada disso aconteceu. A família portelense tem a propriedade única de se reinventar. Enverga, não quebra e retoma seu posto de maior agremiação carnavalesca da cidade, até hoje não superada em seus vinte e um títulos.

O desfile de 2011 pode ser um divisor de águas para nós portelenses, e talvez a chance de provocarmos uma catarse capaz de nos empurrar à tão esperada vitória em 2012. Que as almas de nossos baluartes, lá do céu azul e branco como as cores da nossa bandeira, estejam presentes na avenida, e que a Águia possa, como fênix, literalmente ressugir das cinzas.

Carta aberta a um Banana



Meu caro "presidente", aqui quem fala é um torcedor do Velho Vasco, aquele mesmo que você defendeu durante anos com certa dignidade, embora nunca tenha torcido por ele e tenha falado certa vez como jogador de seu arqui- rival. Falo como torcedor do clube ao qual você deve sua carreira de maior artilheiro do Campeonato Brasileiro e seus inúmeros mandatos como deputado. Clube pelo qual você se sagrou campeão estadual inúmeras vezes e nacional em 1974. Clube cujas tradições você maculou após se tornar presidente e criar esse engodo conhecido como Novo Vasco que anda (ou melhor, rasteja) por aí.

A primeira vez que fui ao Maracanã,"presidente", foi para vê-lo perder um penalti e o jogo contra o Fluminense por dois a zero, num longínquo domingo do ano de 1987. Eu, que tinha apenas seis anos, saí do estádio com lágrimas nos olhos, mas mal sabia que aquela não seria nem a primeira nem a única vez que o senhor me causaria tristeza, e que diante do que estava por vir, aquele dia fatídico me pareceria parte de um "Diário de Pollyanna".

O tempo passou, e de lá pra cá, meu Velho Vasco, dirigido com bravura pelo seu atual desafeto Eurico Miranda, sagrou-se campeão de quase tudo que podia, e se não ganhou tudo, foi porque a sorte ou a canalhice não quiseram assim. O senhor, nesse meio tempo, ganhou alguns estaduais, encerrou a carreira de maneira brilhante graças ao seu desafeto e, a despeito de algumas gafes como vestir uma faixa de trivice estadual na tv, manteve com o clube que o projetou uma relação de cordialidade e respeito.

Quis a sua vaidade pessoal e seu senso de oportunismo (que sempre esteve para além das quatro linhas), que num corriqueiro jogo contra a Ponte Preta, pelo Torneio Rio São Paulo de 2002, o senhor se sentisse incomodado quando lhe disseram que não poderia estar numa área reservada da social do Vasco e bradasse aos quatro ventos que havia sido expulso do local. Pior. Depois disso, juntou-se a uma corja que nunca fez nada pelo clube e fez de seu anseio por vingança contra seu dito algoz uma obsessão.

O resultado de disso, meu caro, todos nós sabemos. Ao tomar partido da Oposição AO Vasco e deixar que ela criasse um factóide em torno de sua imagem, o senhor ajudou a inviabilizar o clube financeiramente, endossando o denuncismo anti-vascaíno que a imprensa mulamba tão bem soube usar. Ao ter sua vingança, o senhor e seus comparsas não só descumpriram promessas de "dois craques engatilhados" e "filas de patrocinadores na porta", como jogaram uma história mais que centenária na lama em seis meses, ao rebaixar nosso clube para a segunda divisão.
Voltamos pela força da nossa camisa (tão manchada com modelos horríveis e patrocinadores indígnos), mas não satisfeito com isso, o senhor e sua turma transformaram nosso clube num balcão de empresários com patrimônio maquiado e torcida anestesiada. No futebol, o reflexo disso tudo foi um fracasso nos tribunais e o no campo, cujo auge se deu nas derrotas para Resendes, Boavistas e Nova Iguaçus da vida. Esse é o retrato mais fiel do Novo Vasco, esse mostro que sua gestão criou, mas nao se iluda:seus aliados, um a um, o estão abandonando. Em breve,serão os mercenários daquelas organizadas que trocam sua fidelidade ao clube por ingressos e materiais novos. Esses neo-vascaínos saradões de abadá, verdadeiros pit-bulls do Vasco que o Flamengo adora, não pensarão duas vezes em queimar aquela camisa ridícula na qual nosso símbolo maior dá lugar ao número que o senhor usava nas costas.

Esse Novo Vasco não dá liga, é mais falso que nota de três e não faltarão vozes para se insurgir contra ele. Junho está aí, e não creio que nenhum vascaíno,por mais acéfalo ou inconsciente que seja, ainda confie num presidente cuja moral (?) é destituida por um atleta que pouca ou nenhuma moral tem para isso. Quando estiver sozinho de vez, "presidente", não adiantará chorar nos ombros daquele que mais fez pelo senhor, porque agora é demasiado tarde.

Para concluir, quero lembrar que Dante destina a mais profunda e cruel parte de seu inferno aos traidores, e não creio que lhe haja lugar mais apropriado depois de tudo que fez de ruim ao nosso clube. Vamos ver se depois da desgraça consumada, o senhor manterá o riso sardônico e hebefrênico de sempre.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A tragédia das chuvas

Os desabrigados e desalojados do Rio de Janeiro precisam de doações de água potável, alimentos, roupas, cobertores, colchonetes e itens de higiene pessoal, como sabonete, pasta de dente e fralda descartável.

A Prefeitura de Teresópolis abriu uma conta exclusiva para receber as doações. Com o nome de “SOS Teresópolis – Donativos”, a conta corrente está disponível na Agência 0741-2 do Banco do Brasil, com o número 110000-9. Segundo a prefeitura, são aceitas ajudas de qualquer valor.

Ainda em Teresópolis foi montado outro posto para receber donativos. As contribuições podem ser levadas para o Ginásio Pedrão, onde foi montado um abrigo de ajuda às vítimas. O local fica na Rua Tenente Luiz Meirelles 211, no bairro Várzea, no centro da cidade.

Petrópolis
Foram montados três postos para doação de água, colchão e material de limpeza e higiene na região de Itaipava: na Igreja Wesleyana, no Vale do Cuiabá; na Igreja de Santa Luzia, na Estrada das Arcas; e no centro de Petrópolis, na sede da Secretaria de Trabalho, Ação Social e Cidadania (R. Aureliano Coutinho, número 81).

Polícia Militar
Todos os batalhões da PM do Rio de Janeiro vão receber doações a partir desta quinta-feira (13). Os comandantes dos batalhões recomendam a doação de água mineral, alimentos não perecíveis e material de higiene pessoal.

Rodoviária
A Rodoviária Novo Rio recebe doações para a Cruz Vermelha. Os donativos serão recebidos no piso de embarque inferior, das 9h às 17h.

Viva Rio
O Programa de Voluntariado do Viva Rio também iniciou uma campanha de arrecadação de roupas e mantimentos para a região serrana do Rio de Janeiro, especialmente Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis. Para ajudar, basta fazer a doação na sede do Viva Rio (Rua do Russel, 76, Glória). Para mais informações o Viva Rio disponibiliza os telefones (21) 2555-3750 e (21) 2555-3785.

Postos em supermercados
O grupo de supermercados Pão de Açúcar montou postos de arrecadação em todas as 100 lojas da rede no estado do Rio. As doações podem ser feitas nos estabelecimentos Pão de Açúcar, ABC Compre Bem, Sendas , Extra Supermercados e Assaí. De acordo com o grupo, os donativos serão entregues até 26 de janeiro.

Polícia Rodoviária Federal
A partir de quinta-feira (13), a Polícia Rodoviária Federal vai montar quatro postos de arrecadação de alimentos e produtos de higiene pessoal. Dois pontos vão funcionar 24 horas, um deles será instalado na BR-116, na altura do pedágio da Rio-Magé, e o outro na BR-101, no trecho de Casimiro de Abreu.

Outros dois postos, na Rio-Petrópolis e na Rodovia Presidente Dutra, vão funcionar das 8h às 17 horas. A PRF informou que os alimentos arrecadados serão entregues para a Cruz Vermelha, que ficará encarregada de fazer a distribuição às vítimas.

Metrô do Rio de Janeiro
A partir do dia 14/01, o Metrô Rio, em parceria com a ONG Viva Rio, recolhe doações para os desabrigados. A coleta será feita em 11 estações das Linhas 1 e 2 (Carioca, Central, Largo do Machado, Catete, Glória, Ipanema/General Osório, Pavuna, Saens Peña, Botafogo, Nova América / Del Castilho, Siqueira Campos).

Cruz Vermelha de Curitiba
A Cruz Vermelha de Curitiba está recebendo água, cobertor e alimentos não perecíveis para as vítimas das chuvas do Rio de Janeiro e de São Paulo. As doações podem ser entregues na avenida Vicente Machado, número 1310, no Batel. Telefone para informações (41) 3016-6622.

Postos da Petrobras
Alguns Postos Petrobras estão recebendo doações de água mineral, alimentos não perecíveis e produtos de higiene e limpeza. Confira os endereços:

- Posto Bracarense:
Avenida Oswaldo Aranha, 11 - Praça da Bandeira - Rio de Janeiro - RJ

- Posto Hilário de Gouveia:
Avenida Atlântica, s/n - Copacabana - Rio de Janeiro - RJ

- Posto Alvorada Rio:
Avenida Ayrton Sena, 2541, lote 2 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

- Posto King Kong:
Rua Visconde do Rio Branco, 756 - Centro - Niterói - RJ

- Posto Chefão Caminhoneiro de Itambi:
Rodovia BR 493, lotes 20 1 30Q, Km 4,5 - Itaboraí - RJ

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ano novo,vida nova?



Nem bem começou o ano e a diretoria do Vasco, ao melhor estilo "vamos a Disneylândia" com o Polegar Vermelho" resolveu que a pré-temporada do time será realizada em um belíssimo resort seis estrelas em Atibaia, interior de São Paulo.

Deu no meia hora de ontem que o clube ainda não pagou novembro, o décimo-terceiro e as férias dos jogadores. A situação dos funcionários é ainda pior. No campo dos patrocínios, as certidões negativas de débitos ainda não foram obtidas, o que impede o clube de receber o dinheiro da Eletrobrás;já a rescisão com o Habib's (tido como uma das maldições da "Era Eurico") não foi homologada, o que impede a assinatura com a BMG.

Ora, se o Vasco é o clube que mais deve no Brasil (segundo sua própria diretoria) e está nessa pindaíba desgraçada, pra que sair de São Januário e queimar dinheiro dessa forma? Com a palavra o senhor Rodrigo Caetano, mandatário-mor do "futebol" da quarta-força do Rio, do coadjuvante do Urubu na tabela do Estadual.

Aos que esperam um ano diferente dos demais, recomendo que ponham suas bolas escrotais em molho vinagrete, porque vem mais agonia por ai. Eu mesmo já pus várias camisas do Vasco pra vender no Mercado Livre,tudo pela metade do preço. O valor corresponde ao que o clube vale hoje se comparado a um passado recente. E já me programei pra assistir apenas 14 jogos esse ano, que poderão se estender para mais caso o time dispute alguma semifinal ou final, o que acho dificíl. Pelo visto, em 2011, o sofrimento também não pode parar...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Valeu,Lula!




Com a posse da Dilma, encerra-se a Era Lula. Parece que a ficha ainda não caiu.Pelo menos não para mim. Assim como Lula, me acostumei a ver seu rosto na urna eletronica à cada eleição. Ele virou referência não só para mim, mas para todo esse povo que nunca havia tido um presidente que olhasse para ele.

Me lembro como se fosse ontem do dia em que ele foi eleito pela primeira vez. Eu havia acabado de me formar, e, como ele, estava diante de um desafio após uma alegria muito grande. Também havia acabado de perder minha mãe, como ele perdeu a sua Lindu, a cujo enterro compareceu algemado por ser preso político do regime militar.

Oito anos se passaram. Eu me tornei funcionário público, professor universitário e hoje coordeno um Centro de Atenção Psicossocial. Lula não só cumpriu sua missão de melhorar a qualidade de vida dos brasileiros,mas colocou o país no mapa, e de devedores, passamos a ser credores do FMI. Essas foram grandes conquistas de seu governo, marcado pelo êxito nos âmbitos economico e social. O Brasil que Lula deixa enquanto presidente é um país mais estável, justo e igualitário.

Toda despedida,por si só, é complicada. No caso de Lula,então,nem se fala. Ele sai da presidência como estadista, e escreve seu nome na história. Mesmo sabendo que o país está bem entregue, fica registrado meu sentimento de vazio pela saída desse animal político do poder. Obrigado por tudo, companheiro.E até daqui a quatro anos...

A posse de Dilma



Assisti a posse de Dilma esperançoso, e me emocionei em diversos momentos, sobretudo no que ela chegou às lágrimas ao lembrar dos companheiros de luta que ficaram pelo caminho e dedicar sua vitória a eles. A diferença desse cerimonial para os demais, como na posse de Lula, foi a comoção que ele causou nas autoridades e na milítância presente.Pudera. A primeira mulher eleita presidente do Brasil recebeu a faixa do primeiro presidente operário do país, que deixa o Planalto como estadista após oito anos de um dos melhores, senão o melhor governo da nossa história republicana.

Dilma recebe de Lula um país estável, mas terá pela frente uma oposição ferrenha, muito embora já tenha mostrado que não foge à luta. Ver gente da estirpe de ACM Neto na mesa em que ela tomou posse me causou repugnância e uma certa preocupação, mas penso que o legado deixado pelo Governo Lula nos ajudou a superar um passado de coronelismo e atraso. Cada vez mais, parece não haver espaço para essa gente no cenário macropolítico brasileiro.

Como professor universitário e trabalhador da Saúde Mental , gostei quando a presidente disse quem são as verdadeiras autoridades da educação e o quanto o SUS deve ser valorizado. Espero que ela tenha força para cumprir com suas promessas de campanha e nosso país continue mudando para melhor,deixando para trás o rastro de descuido para com o social que foi marca dos governos anteriores à chegada da esquerda ao poder.